quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PARTE I - Jornalistas de Treinamento da Folha dão dicas para impulsionar carreira

Qual é o perfil do jornalista ideal? O nome da minha faculdade é importante? Vale a pena fazer especialização? Essas são as principais perguntas que o programa de Treinamento da Folha de São Paulo recebe de universitários e recém-formados. Apesar disso, muitos deles pecam logo no começo, com o currículo, o que motivou as jornalistas Ana Estela Souza Pinto, editora de "Treinamento" da Folha, e Cristina Moreno de Castro, colaboradora do blog "Novo em Folha" e do "Treinamento da Folha", a escreverem o livro “A Vaga É Sua”, lançado em agosto deste ano pela Publifolha.

Currículo é seu cartão de visita
“O dia em que eu tive a ideia de fazer o livro foi quando um menino me mandou um currículo para uma vaga de repórter do jornal. Lá no alto do currículo dele estava ‘objetivo: ser assessor de imprensa’. Quando eu vi aquele currículo eu pensei que seria legal fazer um livro com dicas sobre todas as dúvidas que a gente recebe no blog, porque as pessoas cometem erros muito básicos (...) Então foram as duas coisas, foram as dúvidas dos leitores do blog, mas o gatilho mesmo, o estopim da história foi esse currículo que era muito errado”, relembra Ana Estela.

Para a jornalista, é impressionante como os jornalistas deixam de se preocupar com as informações do currículo. “É incrível, isso é uma coisa tão simples de fazer, essa questão da ordem das informações do currículo, e faz toda a diferença. O editor está com uma seleção, ele está olhando dezenas, centenas de currículos e se ele está querendo um repórter, e ele só vê assessoria, assessoria, ele não chega no final do currículo. Por isso que a ordem é super importante”, afirma.

Cristina contou a experiência de uma amiga, que havia trabalhado em assessoria e queria atuar em Redação. Ela perdeu uma vaga na Folha, mas com algumas dicas, melhorou seu currículo e conseguiu emprego em uma revista. O problema era o mesmo, a jornalista não destacava seus pontos fortes para a vaga de repórter.

“Fui ver o currículo dela e estava só listando a experiência dela em assessoria. Mas ela tinha feito uma formação complementar em Direito, que é um diferencial útil para o jornalismo. Ela também trabalhou numa revista segmentada por um tempo, fez frilas ocasionais, então a gente jogou tudo isso pra cima no currículo dela, deu destaque e colocou como outras experiências a assessoria. Eu falava pra ela destacar isso nas entrevistas. E ela conseguiu ir para uma revista. É uma questão de saber destacar seus pontos fortes relacionados à vaga”, explica.

Blog é um diferencial?
Manter um blog pode ser uma forma de exercitar técnicas de redação e se destacar em alguma área específica. Mas quanto isso pesa em uma entrevista?
“Vai depender bastante da vaga e do blog. Quando eu selecionei a Cris pra vaga de treinamento, o fato que ela tinha um blog pra falar principalmente de política foi uma coisa que eu levei em conta, porque ela é uma menina nova, mas é interessada no assunto, que é um assunto mais complicado, que é política. E ela não só é interessada, mas ela tinha tido a iniciativa de criar um espaço pra escrever, pra discutir. Então isso pra mim mostrava algumas características interessantes em alguém que quer ser jornalista, que é o interesse e não só o interesse passivo, mas o interesse ativo que leva você a produzir alguma coisa”, avalia Ana Estela.

Para Cristina, o blog era uma forma de exercitar o Jornalismo. “É bom como experiência para a pessoa também. Eu trabalhava num banco e não tinha muito tempo pra fazer estágio, até cheguei a fazer durante oito meses as duas coisas ao mesmo tempo, mas não deu pra ficar o período da faculdade inteira fazendo. Então durante a faculdade, desde o primeiro período até logo depois que eu entrei na Folha, eu mantive o blog. Era uma forma de praticar, de escrever e estar sempre me informando”.

Fonte: Comunique-se

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